O quanto é possível MUDAR o COMPORTAMENTO das pessoas no TRABALHO?

Ou você muda, ou você se repete!

Certa vez, conduzindo um curso sobre dinâmica de grupo em uma determinada instituição, deparei com a seguinte situação: o número de participantes indicado para aquele tipo de trabalho era de, no máximo, 20 pessoas, mas, por solicitação da entidade, foram colocadas 25. Estavam participando dele duas colegas de trabalho, cuja relação entre elas não estava muito boa.

Durante um exercício prático pela parte da manhã, elas aproveitaram a oportunidade para lavar os “panos sujos”. Não fosse a minha intervenção, acredito que tivessem até se agredido. À tarde, essas duas pessoas não compareceram.

Antes de iniciarmos os trabalhos vespertinos, observei a pessoa que organizou o evento, e que dele também participava, e vi que quase não lhe restavam mais unhas para roer. Ela se encontrava totalmente desorientada, andando de cá para lá, naquela sala. Dirigi-me a ela e perguntei-lhe o que estava acontecendo. Ela respondeu que estava preocupada com as duas colegas que não haviam retornado. Não me contive e lhe falei: é engraçado que, com as 23 que estão aqui, querendo aprender, você não está preocupada, mas, sim, com as duas que fizeram a escolha de ficarem em casa. Às que estavam na sala, ela se esquecera até de preparar um material que ficara de providenciar.



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Diariamente nos deparamos com essas situações nas organizações e, confesso, muitas vezes isso chega até a me deixar pouco confortável. É comum ouvir alguém dizer algo assim: “Ah, eu não vou mais fazer determinada atividade porque falaram que, da outra vez, não ficou boa”. Nesses casos, pergunto-lhes novamente: quantas pessoas falaram isso? Se foi uma, dentre dez, significa que nove gostaram. Então, se foi somente uma que falou, será certo tomar uma decisão radical dessas com base na opinião de apenas ela? Não!

Essa é uma das razões pelas quais uma grande parte dos projetos morre. Percebe-se que se investe muita energia naqueles que não querem progredir ou, então, que fazem de tudo para que colegas ou a própria organização não progrida. E com aqueles que não querem, o que se pode fazer? Tempos atrás, eram demitidos. Hoje estamos numa época em que, devido à falta de gente capacitada no mercado e que queira trabalhar, somos obrigados a recuperar até os ruins.

Vou deixar-lhes uma dica: façam uma bela carta de recomendação e, quando o concorrente estiver com uma vaga aberta, direcione-os para lá. Mas só façam isso quando puderem substituí-los por outros melhores.

Frequentemente, ouvimos, nas organizações, a seguinte frase: “As pessoas não são comprometidas”. Quando a ouço, sempre faço a seguinte pergunta: quantas pessoas não são comprometidas? Se a resposta for todas, já haverá um forte indício de falhas na gestão dessa organização.

O gráfico abaixo serve para exemplificar os comportamentos comuns dos colaboradores nas organizações. E, cada vez mais, estou convencida de que esses percentuais estão muito próximos da realidade de mercado, podendo variar para mais ou para menos, dependendo de cada empresa.




a) Em relação aos colaboradores:

 • 30% – não fazem nem o que precisa ser feito – têm pouco compromisso com entrega e prazo, pouco interesse em aprimorar o desempenho, apontam problemas, justificam-se e recebem feedback de forma negativa;

• 60% – fazem o que precisa ser feito – são coativos, fazem bem o que está sob sua responsabilidade e dependem de mais apoio e treinamento;

• 10% – fazem mais do que precisa ser feito – são proativos, praticam valores, sugerem melhorias e possuem capacidade de execução superior.

 

b) Em relação à vida:

 • 30% – são doentes – não conseguem nem fazer a vida andar;

• 60 % – são normais – fazem uma passagem de vida biológica, ou seja, nascem, crescem, envelhecem e morrem;

• 10% – são sadios – a diferença dos normais para os sadios é que estes fazem uma passagem de vida biológica e psíquica, ou seja, crescem até morrer.

 

Pergunto-lhes: é possível fazer com que todos os doentes deixem de ser doentes? Respondo-lhes: possível até é; porém, isso é algo totalmente impraticável. Assim também ocorre com os colaboradores. Alguns não querem mudar e, nesse caso, não podemos fazer nada. Por outro lado, aqueles que já fazem bem aquilo de que são incumbidos, podem fazê-lo ainda melhor? Sem dúvida, sim, mesmo não sendo possível fazer que todos sejam iguais aos 10%.

Diante dessa realidade, dois fatores importantes devem ser observados,

pois, do contrário, restará dificultada a gestão de pessoas: 

• investe-se muito mais energia nos 30% do que nos demais;

• todos são gerenciados da mesma forma. 

Eduardo Carmello, autor do livro “Gestão da Singularidade”(p. 12), que trata sobre os diferentes comportamentos no trabalho, diz: “A gestão da singularidade utiliza como princípio a máxima de Aristóteles, que consiste no conceito de conseguir oferecer o recurso certo para a pessoa certa, na medida certa, no momento certo, pelo motivo certo, da maneira certa”.

As organizações devem-se assegurar de que suas práticas de gestão funcionam bem e estão bem adequadas a essas pessoas que querem fazer e fazem mais. Pode ser que funcione ou não. Não importa se a empresa possui dez ou dez mil colaboradores, a dinâmica é a mesma. Por exemplo, se a organização direcionar um treinamento para dez colaboradores e a participação voluntária for de sete, poderá dar-se por satisfeita. Afinal, se os dez estivessem presentes, provavelmente três seriam presentes-ausentes (presentes só de corpo). Nesse caso, se for perguntado a esses três, ao final do trabalho, o que foi tratado, provavelmente dirão que não se lembram do assunto. Os que participam efetivamente costumam dizer que aqueles que precisam mais de treinamentos são justamente os que menos se fazem presentes.


Texto retirado do livro: Sim, eu aceito! Analogia entre o casamento e a gestão de pessoas – pág. 24 a 27.


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