Faltas ao Trabalho

Você tem essa preocupação?

As faltas ao trabalho, ou também chamadas de absenteísmo, são eventos antagônicos na visão de quem trabalha e de quem emprega.

Quem falta ao trabalho, via de regra, tem todas as razões do mundo para justificar aquela ausência. Quem não pode contar com aquele colaborador naquele dia ou horário, também tem todas as razões do mundo para justificar a sua presença, pois afinal de contas o cliente não espera o serviço ou o produto porque o colaborador não pode ir trabalhar.

Como faltas ou atrasos ao trabalho é algo que nenhuma empresa quer e também causa muitos transtornos para as atividades, a sensação que muitas delas têm é de que o número de faltas é sempre alto.

E a sua empresa? Monitora este indicador?

A grande dificuldade na redução deste índice está nas causas das faltas. Uma boa parte delas está voltada a questões pessoais, de saúde ou problemas familiares, e nem sempre consegue-se atuar diretamente neste tipo de problema e por mais esforço que se faça, eliminá-los é algo muito difícil de acontecer.

Existem dois tipos de faltas ao trabalho:

1) As faltas justificadas: que são as faltas prevista em lei, ou em CCT (Convenção Coletiva de Trabalho), ou ACT (Acordo Coletivo de Trabalho), ou até mesmo em regimento interno da empresa, e estas não devem ser descontadas do salário. Estas faltas estão previstas no art. 473 da CLT.

2) Faltas injustificadas: como próprio nome diz, não previstas em lei e podem ser descontadas do colaborador.

No contexto destes dois tipos de faltas, existem três tipos de comportamentos dos colaboradores com relação as mesmas:

  1. Aqueles que nunca ou raramente faltam.
  2. Aqueles que faltam frequentemente, mas justificadamente.
  3. Aqueles que têm o hábito de faltar, seja por razões justificadas ou não. Neste grupo enquadram-se aqueles colaboradores que poderiam faltar duas horas para ir ao médico, mas faltam o turno todo ou até mesmo o dia todo.

Muitas ações podem ser desenvolvidas pela empresa para reduzir as faltas, porém é importante estar atento aos comportamentos de cada grupo, pois demandam ações específicas.

Por exemplo: Se for criar um incentivo, que pode ser um bônus em dinheiro com o objetivo de reduzir as faltas do grupo de colaboradores que tem o hábito de faltar, é pouco provável que funcione. Por que este grupo nem o dinheiro motiva-os, porque se fosse assim não teriam faltas com desconto nos seus salários.

Então você pode pensar, mas para que eu vou criar este incentivo? Você pode criar com o objetivo de reconhecer aqueles se enquadram no primeiro e segundo grupos que acabamos de falar, pois estes irão se esforçar para merecê-lo.

Pelas experiências que tenho vivido nas organizações, sou da opinião daquela frase de autoria que desconheço: “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. O que isto significa dizer: a empresa deve estar ciente que uma parte do ônus dos problemas das pessoas ou da sociedade ela deverá arcar, e talvez este seja o grande papel social que os empresários desempenham nas organizações quando enfrentam estes tipos de situações e para isso a empresa deverá pensar em estratégias que flexibilizem o trabalho destas pessoas com dificuldades tanto pessoais como familiares. 

Ao mesmo tempo, não deve ater-se muito à piedade, pois quem está trabalhando precisa dar um esforço extra por aquele que não está, independentemente de ter as suas justificativas ou não, e para isto também deve pensar em estratégias para reconhecer aqueles que trabalharam para suprir a falta dos demais.

A empresa poderá atuar de duas formas através de:

  • ações diretas: são as ações internas que a empresa tem autonomia para fazer e que podem atuar nas causas das faltas provocadas no próprio trabalho. Por exemplo: melhorar um processo, desenvolver as lideranças, melhorar a climatização, estabelecer políticas quanto às faltas ao trabalho.
  • ações indiretas: são ações que mesmo não tendo como causa o trabalho, ajudam atuar e reduzir as faltas por questões pessoais, como por exemplo, oferecer informações, controles, ajuda nas questões pessoais dos próprios colaboradores ou familiares.

Dois referenciais são importantes para a empresa ter mais efetividade nas ações de melhorias das faltas ao trabalho: A evolução do próprio referencial na empresa, ou seja, como o numero de faltas vêm comportando-se. Está aumentando? Tem diminuído? Tem se mantido estável? Porque esta é a primeira análise. Hoje é muito difícil a empresa que não tenha este controle em mãos para apropriar-se desta informação e fazer as análises pertinentes.

  1. Buscar referenciais com outras empresas que possuem características similares ao seu negócio. Por exemplo, se a sua empresa trabalha em domingos e feriados, busque saber qual é a média de faltas em outras empresas com esta mesma característica.

E qual é o número aceitável de faltas?

Depende! E depende de vários fatores, mas dois são os mais relevantes:

  1. Características do seu negócio: por exemplo: se trabalha em sábados à tarde, domingos e feriados ou não, se o local é muito insalubre, se demanda muitas viagens, entre outros.
  2. Escassez de trabalho no mercado: em épocas de pleno emprego é comum as pessoas demonstrarem menor preocupação se terão ou não trabalho, porque elas sabem que se forem demitidas encontrarão trabalho com mais facilidade.

Via de regra um índice de 2% a 3% é considerado aceitável. 

Como calcular o absenteísmo:

Suponhamos uma empresa tenha 20 colaboradores, com jornada de 08 horas cada um. Cada colaborador trabalhará oito horas por dia e vinte dias no mês. Então: 20 (colaboradores) x 8 (horas de trabalho por dia) x 20 (dias no mês) = 3.200 horas/mês.

Depois, computa-se os atrasos, faltas e saídas antecipadas dos colaboradores, imaginemos que o total seja = 60 horas perdidas de trabalho.

Para saber o índice de absenteísmo em percentual, basta dividir o número de horas perdidas, pelo número de horas de trabalho que a sua equipe deveria executar (no nosso exemplo foram 3.200 horas e multiplicar o resultado por 100.

Da seguinte forma: 60/3.200 x 100 = 1,87%.

Abseteísmo %=                       Total de horas faltas                                          x 100
                          Total de colaboradores x horas trabalhadas x dia trabalhados  


Ações que podem ser implantadas e que contribuem na melhoria do absenteísmo:

  • Incentive o desenvolvimento de programas de valorização à vida e prevenção de saúde que  podem incluir incentivo à alimentação saudável, atividades físicas, palestras educacionais. Realizar campanhas de conscientização quanto a epidemias. Quando possível, oferecer assistência à saúde como benefício para os colaboradores.
  • Diagnosticar frequentemente os problemas que levam à desmotivação. Verificar se os colaboradores estão alinhados e satisfeitos com as equipes das quais fazem parte e realocá-los caso seja possível.
  • Qualificar as lideranças, realizar treinamentos e avaliar a postura do líder e a forma de condução da equipe
  • Cuidar do ambiente de trabalho (físico e psíquico) e verificar a infraestrutura necessária para exercer as funções, bem como, cuidar da estética.
  • Adaptar as condições de trabalho aos anseios das gerações. Cuidar para não ser rígido ou flexível demais.
  • Evitar tomar medidas que desagrade grande parte dos colaboradores, especialmente quando se trata de acordos já pactuados.
  • Promover momentos de descontração e de integração da equipe para que haja mais harmonia.
  • Criar regimentos internos que deixem claros as regras e penalidades para quem não respeitar o regulamento.

E por fim, como agir em relação às faltas não justificadas e reincidentes?

A empresa poderá também tomar medidas legais e previstas em lei quando o colaborador demonstrar desleixo pelo trabalho como:

  • advertência verbal;
  • advertência escrita; ou
  • demissão por justa causa.

Cabe a empresa aplicar estas medidas quando o colaborador praticar desídia, que pode ser entendida como preguiça ou desleixo no trabalho.




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